Confie no caminho!

Quantas vezes na minha vida foram a crise e o caos que me obrigaram a olhar a situação de outra forma, a buscar atitudes diferentes que, no fim, terminaram por me conduzir a um lugar melhor do que aquele em que me encontrava. Muitas vezes, o que vemos como equilíbrio é, na verdade, uma situação precária de acomodação na escassez. Não nos motivamos a romper com aquilo, porque pode não ser tão bom, mas também não é tão ruim. E seguimos, ano após ano, sonhando com uma vida melhor sem dar qualquer passo nesse sentido, sem levar a sério nossos próprios desejos e possibilidades. Mas o próprio Aurélio apresenta uma definição interessante para o mesmo caosvazio obscuro e ilimitado que precede e propicia a geração do mundo.

Perfeito! Então, é disso mesmo que estamos falando. Muitas vezes é preciso que tudo saia do lugar, seja por questões econômicas, pessoais, ou quaisquer outras, para que se rompa o que considerávamos equilíbrio e tenhamos coragem de nos aventurar a sair de uma situação ruim – mas conhecida -, e descobrir que existem possibilidades muito melhores fora do nosso mundinho. O curioso é que, enquanto estamos parados, não enxergamos o caminho, nem os recursos de que dispomos para trilhá-lo. Somente quando nos colocamos efetivamente em movimento, e a cada passo, é que teremos clareza do passo seguinte. Neste sentido, se uma crise irrompe na nossa vida, ela vem nos encorajar a andar – afinal, não há muito a perder.

Então, “é caminhando que se faz o caminho”. Sugiro que faça isso com alegria, e não como quem carrega um fardo. Ser concurseiro é, antes de tudo, estar disposto a transformar-se a cada passo, é abandonar falsas crenças limitantes e ter a ousadia de se observar com isenção, sem julgamentos, para ajustar o projeto às mudanças que podem – e vão – aparecer a cada curva.

Retornando à questão da necessidade de se dar o primeiro passo, outro fato curioso são as dúvidas de quem ainda não iniciou os estudos. Por isso, elenquei o que observo com mais frequência e trouxe respostas simples que visam desmoronar esses obstáculos, que parecem, a primeira vista, intransponíveis, mas que são apenas miragens:

Nunca fui bom aluno; não tenho base.

O estudo para concurso é diferente daquele do período escolar: estamos ali porque queremos conquistar algo para nossa vida – é uma decisão nossa. Assim, a motivação é outra. Além disso, estamos mais velhos (ao menos um pouco) e maduros. Isto nos ajuda a ter uma postura que facilita, e muito, o aprendizado. É bastante comum ver alguém que inicia o estudo para concurso aprender coisas que nunca conseguiu compreender na escola. Isso o torna mais qualificado como pessoa, mesmo antes de ser aprovado.

Nunca estudei essas matérias.

As matérias são dadas desde o início, exatamente porque não se pressupõe que você já as tenha visto. Claro que cada um terá mais facilidade em um tipo de assunto e menos em outro, de acordo com o perfil individual, mas todos são capazes de aprender.

Já tenho idade. Como vou superar os mais jovens?

Eu tinha 38 anos quando comecei a me preparar para concurso, com 4 filhos (os pequenos com 3 e 6 anos), separada e sem estudar há mais de 15 anos. Hoje, sou fiscal. Conheço, ainda, o caso de um homem que passou para auditor da Receita Federal com 60 anos. Considero um exemplo de coragem alguém chegar a essa idade e buscar •uma vida melhor. Afinal, enquanto estamos vivos, vale a pena!

Enfim, esses e tantos outros argumentos são irreais e desnecessários. Funcionam como uma desculpa para não dar o primeiro passo. Foi o que ouvi uma vez de um professor: vocês querem desculpas ou querem passar? E eu, que tinha todas as “desculpas” do mundo, disse para mim mesma: eu não quero desculpas; eu vou passar! Só gostaria de lembrar que é uma caminhada considerável, sim, até tornar-se servidor público. Mas o prêmio será usufruído pelo resto da vida!

Outra “doença” que costuma acometer os que se prepararam para concursos público é a impressão, após algum tempo, de não estar saindo do lugar, como se o estudo não produzisse resultados. O que quase ninguém observa é que todo projeto demanda tempo para ter resultados visíveis: se estamos sedentários e decidimos iniciar algum esporte; se iniciamos uma dieta de emagrecimento; se iniciamos o estudo de urna nova língua; e até mesmo se vamos criar uma nova empresa. Na verdade, há uma infinidade de exemplos em que precisamos investir dedicação durante certo tempo para percebermos algo acontecer. Penso que a ansiedade pelos resultados e cobrança interna nos impedem de respeitar e apreciar o tempo necessário para o surgimento dos primeiros frutos. Em dado momento, nos surpreendemos compreendendo as matérias, acompanhando as aulas com mais facilidade e respondendo às perguntas do professor.

Nunca estudei essas matérias.
As matérias são dadas desde o início, exatamente porque não se pressupõe que você já as tenha visto. Claro que cada um terá mais facilidade em um tipo de assunto e menos em outro, de acordo com o perfil individual, mas todos são capazes de aprender.
Já tenho idade. Como vou superar os mais jovens?

Então, confie no caminho. Como um peregrino, observe o cenário a sua volta. Os concursos continuam, sim, acontecendo. Podem ser locais, regionais ou nacionais. A cada um, avalie a oferta com objetividade quanto à remuneração, local e tipo de trabalho; analise suas reais condições e decida para onde direcionar seus passos. A dúvida é saudável e faz com que tenhamos cuidado na escolha. O medo também faz parte e cumpre a função de nos manter plenamente atentos. Infelizmente, não posso dizer quantas passos você terá de dar até a sua aprovação, mas posso garantir que ela está a sua espera. Siga, dê os passos necessários, e conquiste o seu prêmio!

Um beijo e ótimo caminho.

 

confie_caminho

_____________________________________________________________________

Links

● Facebook

● Twitter: @liasalgado_

● Coluna da semana no G1: Como saber se um concurso vai abrir? Veja dicas

● Livro – Como Vencer a Maratona dos Concursos Públicos – à venda na Saraiva

_

qui 22 set/2016