Filhos Pequenos

Uma das coisas mais dolorosas do meu tempo de estudo era ter de ficar ausente da vida dos meus filhos.

No terceiro ano da minha maratona – depois de três reprovações e uma desistência – percebi que precisava fazer algo realmente diferente se queria ser aprovada. Foi aí que descobri as bibliotecas e quanto o tempo de estudo rendia mais do que em casa. Essa foi a parte boa da história. A ruim é que eu saía de casa às 8 horas da manhã e passava o dia todo na biblioteca. Saía de lá quando fechava, já de noite, ou às 5 horas da tarde, direto para o curso, nos dias em que havia aula e matérias específicas para o ISS. Retornava perto de 11 horas.

Com isso, só via as crianças pela manhã, antes de irem para a escola, e depois no outro dia, pela manhã, porque quando chegava elas estavam dormindo. Era muito ruim para todos nós, mas penso que foi o menorzinho quem mais sofreu. Ele era muito pequeno e ficava difícil explicar por que eu “desaparecia” de casa. Ele se agarrava às minhas pernas e chorava, pedindo para eu não ir para a “minha escola”. Perguntava se quando ele chegasse em casa da escola, eu estaria ali. E eu tinha que dizer que não estaria, que precisava estudar porque um dia ia “escrever umas coisas” (não havia como explicar o que era uma prova) e depois a gente ia ganhar muito dinheiro, eu ia comprar brinquedos, passear com ele, comer em restaurantes.

E ele ia para a escola e eu, para a biblioteca, com o coração despedaçado.

No fim da tarde, eram os irmãos mais velhos que cuidavam dos menores, davam jantar e os colocavam pra dormir. Muitas vezes ligavam pra mim, porque o caçula estava chorando…

Trecho retirado do meu livroComo Vencer a maratona dos Concursos Públicos 

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qui 25 fev/2016