Em que mundo você quer viver?

mundo melhor

Ando um tanto cansada das notícias que vejo por aí. Mudam os personagens, mas o teor é sempre o mesmo. Fala-se de corrupção, falta de ética, “jeitinho” ou, na melhor das hipóteses, apatia – que, mais recentemente, tem sido denominada “leniência”. Vou ao Aurélio e descubro: “brandura, suavidade, doçura, mansidão”. Bons tempos em que isso seria um adjetivo positivo. Hoje, o que temos é a absoluta passividade em relação a tudo. “Não tem jeito mesmo…” ou “O que eu posso fazer?”, dizem todos para justificar seu nada fazer.

Tenho filhos, você sabe. Mais de uma vez ouvi algo do tipo: “Mãe, o mundo não é assim.” ou “Mãe, não existe mais ninguém como você.”. Educar dá trabalho e é tarefa imprescritível. Mas é preciso ser feita e eu não me furtei. Com o passar do tempo, graças a Deus, eles também se tornaram assim, uma espécie quase em extinção. E, aos poucos, descobriram o que eu já sabia: existe sim, gente de bem, correta, em quem se pode confiar. Não sei se são muitos ou poucos, mas há. E eu, cada vez mais, me concedo o direito de conviver, por escolha, somente com pessoas assim. Faço o meu mundo particular dentro do mundo. Vou selecionando, pelo caminho, tipos que reconheço de valor especial, e agrego ao meu patrimônio pessoal. Simples assim. É fato que somos obrigados, infelizmente, a tratar com gentes das mais esquisitas e deploráveis. Faço-o da maneira mais objetiva e encerro o assunto tão logo possível. Essas não pertencem ao meu mundo. Fazem escolhas diferentes das minhas – é direito de cada um – e optam por viver em outros mundos. Ainda assim, claro, ajo de acordo com meus princípios. Quem sabe, com alguma sorte, estão permeáveis a uma mudança?

Por outro lado, se desejamos viver em um mundo melhor, é preciso firmeza. Em geral, não é nas grandes atitudes que as pessoas vacilam, mas nas pequenas ações do dia a dia. Ética não é sinônimo de honestidade, que lhe restringiria por demais o significado. É o trato com o ser humano, com a consciência de ser o outro igual, por mais desigual que pareça. É ser firme e claro nas suas posições, sem que isso seja arma para diminuir o outro. É ser honesto consigo mesmo, coisa que se devia aprender na escola, e não se desaprender desde que nasce. Chorar quando está triste. Perceber quando a angústia bate, e buscar a causa, em vez de descontar em situações outras. Ficar feliz de verdade quando alguém vence. Ser solidário com a dor do outro, mesmo que nada possa ser feito, exceto estar perto, que às vezes é tudo de que o outro precisa. É reconhecer que muitas vezes não sabemos o que fazer e, então, nada fazer até que as coisas se clareiem.

O problema é que somos formatados para dar mais importância ao que causa sofrimento do que àquilo que oferece bem-estar verdadeiro. O noticiário é recheado de sangue e podridão porque nós “queremos” isso. O pior é que, num círculo vicioso, segue a propaganda subreptícia daqueles comportamentos. Alimentamo-nos disso no café da manhã, almoço e jantar. Nos momentos de lazer, comentamos assuntos do mesmo matiz. Na hora de agir, o comportamento distorcido já está assimilado e acontece “naturalmente”.

Por isso é preciso acordar e ter consciência de cada ato. Tenho tido uma experiência muito bacana do quanto podemos influenciar pessoas, não com nossas palavras, que vão no vento, mas com a atitude diária e permanente. Sei que isso não dá mídia, mas é verdade.

E fico muito feliz quando, no meu dia, encontro gente diferente. Que fala o que pensa, que luta pelo que acredita, que realiza o seu trabalho dentro dos melhores valores. Nessa hora eu vejo que tem é muita gente bacana por aí. Só que não aparece na televisão.

Escrevo aqui sobre este assunto, porque sei que me dirijo a futuros servidores públicos. Estou sempre comentando o que acho que possa ser útil à sua aprovação. Mas peço que você se lembre de ser útil ao seu país. Esteja certo de que será o primeiro beneficiado. E cada um de nós também.

Obrigada.

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qui 25 set/2014