Para Ser Feliz

gratidaoPassamos a vida lutando para que as coisas sejam desta ou daquela maneira. Sofremos muito enquanto isso não acontece. Mas, repetimos sempre que: “quando isso ou aquilo acontecer, serei uma pessoa feliz”. Pode ser a compra de um apartamento, ou casar, ou pagar as dívidas, ou… passar no concurso. Bobagem! Se não aprendermos a ser felizes agora, também não o seremos quando a meta futura for alcançada.

O objetivo do nosso espaço aqui é, principalmente, motivar as pessoas e mostrar que as dificuldades fazem parte do caminho de todo concurseiro, mas devem ser superadas. E mais, que pessoas comuns e com dificuldades as mais variadas passam em concurso – vejam o meu caso (separada, quatro filhos, sem dinheiro, …). Já falamos sobre orientações para otimizar o estudo, editais específicos, etc. Mas, desta vez, quero somente deixar este alerta: é preciso descobrir como ser feliz mesmo durante a maratona para a aprovação. Mesmo sem dinheiro, sem tempo, cansado, pressionado pela expectativa. É importante olhar para o espelho e perceber quão especial é ter coragem de mudar a vida, de investir todos os esforços para a obtenção do que se deseja. É bacana observar a trajetória, olhar para trás e ver quanto já foi trilhado, quanto aprendemos. Há tanto o que apreciar a cada dia, cada novo momento…

Mas, podemos escolher o inverso. Sempre haverá do que reclamar. Um dia, li num livro de uma monja budista algo que realmente me libertou: se você pensa que algum dia na sua vida tudo estará no lugar, esqueça, porque isso nunca acontecerá. É? Então tá, né? Se uma monja, sábia, espiritualizada diz isso, deve ser mesmo. Sabe que achei bom à beça? Já que nunca estará tudo no lugar, não precisamos então sofrer tanto quando algo não funciona. É só uma questão de aceitar que desta vez foi isso; em outro momento será aquilo. Fica bem mais fácil. Vamos resolvendo o que surge, sem expectativas de perfeição.

Caso contrário, quando formos aprovados no concurso, encontraremos ainda motivos de lamentação. Claro! O chefe pode ser chato; ou pagamos muito imposto de renda – é verdade, pagamos mesmo, mas não é melhor do que ficar isento por não ter salário ou pagar pouco por ter um recebimento mensal insignificante? Então, carece ter cuidado para não ser uma pessoa infeliz quando for aprovada, só que com dinheiro. O que, diga-se de passagem, já é melhor do que ser infeliz sem dinheiro mas, ainda assim, é infeliz…

Observo, à minha volta, gente que teria tudo para ser feliz, mas sofre todos os dias com o que “falta”; e olhe que, como vimos, sempre vai faltar alguma coisa. Para dar um exemplo, outro dia ouvi esta pérola: “As pessoas falam tanto em viajar para a Europa, mas quem aguenta ficar onze horas num avião? É muito desgastante!”. Prefiro me abster de comentários.

Por outro lado, um tempo atrás estava eu numa cidade do interior que era cortada por um rio. Quando olhei para a estrada, vinha uma senhora – as marcas do sol e do vento na pele fazendo-a parecer bem mais antiga na idade do que deveria ser de fato – empurrando um carrinho de mão cheio de panelas lavadas. Observei melhor e vi que ela vinha do rio, onde lavara e areara (para quem não é do interior: arear é polir com areia do rio) suas panelas, que brilhavam à luz do sol. Ela sorria. Qual não foi minha surpresa quando vi, sobre a pilha de panelas, um grande rádio, e entendi que aquela mulher, enquanto cuidava de sua lida diária, sem qualquer conforto, se deu ao trabalho de levar um rádio de pilhas para transformar o que poderia ser uma tarefa estafante em algo alegre e divertido. Assim é a vida. Do jeitinho que a fazemos.

Então, amigo concurseiro, quando tiver de acordar num sábado de sol e dispensar a praia ou o churrasco com os amigos porque precisa estudar, não lamente. Se estiver chovendo, friozinho, vontade de dormir até mais tarde e fazer nada o dia todo, mas tiver de encarar os livros ou as aulas do curso, tampouco lamente. Lembre que você é alguém muito especial e que está no meio de um projeto de mudança de vida. O investimento necessário são horas e horas de estudo, vida saudável, poucos gastos, lazer controlado. O prêmio? Todos os anos que restarem da sua vida após a aprovação para curtir o fim de semana com requintes de criatividade; e mais: todos os dias do resto da sua vida para comemorar a vitória conquistada.

The Hug

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 ● Coluna da semana no G1: ”Prós e contras de largar o emprego para se dedicar a concursos públicos”

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qui 07 ago/2014

Categoria: Concursos • Tags:, ,