Atualidades – Possível ataque americano à Síria

O conflito na Síria – que na verdade é um desdobramento da Primavera Árabe – tem contornos que vão muito além de uma disputa interna entre o grupo do Presidente Bashar Al-Assad (Alauita) e os “revoltosos”, em sua grande maioria sunita.

A questão passa, antes de mais nada, sobre o equilíbrio de forças no Oriente Médio – que todos sabemos é uma área deveras conflituosa, dentre outros fatores por lá terem surgido as três grandes religiões monoteístas, ter mais de 65% do petróleo mundial (que continua a ser a matriz energética mais plástica do mundo) e pela diversidade étnica, tribal, religiosa, etc.

Este equilíbrio coloca alguns atores como protagonistas:

EUA – aliado histórico de Israel e inimigo dos regimes do Irã e da Síria. A queda de Bashar Al – Assad permitiria aos EUA amplificar a influência regional e isolar o regime dos Aiatolás no Irã.

Israel – após celebrar os famosos acordos de Camp David na década de 1970 – devolução da Península do Sinai ao Egito e este o reconhecimento do direito à existência de Israel – vê-se com três grandes inimigos: o Irã, que enriquece urânio com finalidades bélicas; a Síria, sua inimiga de décadas desde a guerra dos “seis dias” em 1967 e, ainda, a tomada do poder pela Irmandade Muçulmana – atualmente deposta – no Egito, que se opõe ao país semita.

Síria – representa um contraponto ao poder dos EUA e Israel no Oriente Médio, mantendo um contrato de compra de armas da Rússia no valor de mais de seis bilhões de dólares anuais e ainda este mantém um porto militar em território sírio.

Rússia e China – não querem ver ampliadas as influências de Israel e EUA na região; sendo assim, têm vetado todas as possíveis resoluções da ONU condenando o regime de Assad.

Diante do impasse no CS da ONU e da utilização de armas químicas pelo regime sírio, parece cada vez mais claro que os EUA aguardavam apenas mais um motivo para atacar o ditador. A questão, contudo, reveste-se de legitimidade: o Reino Unido não obteve autorização parlamentar para participar da coalizão de ataque; a França apoia, mas sua população é contra; 12 dos membros do G-20 querem uma resposta dura ao regime de Assad, mas os EUA ainda não têm consenso interno para fazê-lo.

A solução diplomática parece distante ou impossível. A derrubada do regime pelos revoltosos apresenta-se como difícil sem apoio ocidental; sendo assim, Obama tem a dura tarefa de organizar a reação internacional e tentar não se envolver em mais um conflito de longo prazo.

avatar-alex-mendesAlex Mendes

Bacharel em Filosofia pela UFRJ e em Geografia; Pós Graduado em Geopolítica; Mestrando em Economia. Professor há 15 anos ministrando aulas em vários estados, tais como: Rio de Janeiro, Minas Gerais, Alagoas, São Paulo.

É colaborador da Folha Dirigida, do Jornal dos Concursos, do site G1. Ministra aulas de Atualidades, Economia e Finanças Públicas, em cursos preparatórios para concursos em locais como Academia do Concurso Público, Maxx Concursos, Ícone Concursos, Pio Concursos, PLA Concursos, LFG, Cejuris.

qui 12 set/2013

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